O primeiro turno das eleições de 2026 produziu um dos movimentos mais significativos do cenário político brasileiro dos últimos anos: o Nordeste continua sendo a principal região eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a distância para o campo bolsonarista diminuiu de forma expressiva em comparação com 2022.
Os números mostram uma mudança que merece atenção. Em 2022, Lula recebeu 21.753.139 votos no Nordeste no primeiro turno, correspondentes a 66,76% dos votos válidos da região. Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição pelo PL, obteve 8.787.394 votos, ou 26,97%. A vantagem de Lula sobre Bolsonaro chegou a 12.965.745 votos. elves.com.br
Quatro anos depois, Lula continua vencendo nos nove estados nordestinos, mas sua votação caiu para 21.494.584 votos, uma redução de 258.555 votos. Em participação percentual, o petista passou para aproximadamente 63,8% dos votos válidos. BOL
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro, candidato do PL em 2026, alcançou 10.398.973 votos no Nordeste, contra os 8.787.394 obtidos por seu pai em 2022. São 1.611.579 votos a mais, crescimento de aproximadamente 18,3%. UOL Notícias
O resultado fez a vantagem de Lula na região cair de quase 13 milhões para aproximadamente 11,1 milhões de votos. Em outras palavras, o Nordeste não mudou de lado no primeiro turno, mas a distância entre os dois principais campos políticos diminuiu. BOL
O movimento aparece nos nove estados
O avanço de Flávio não ficou concentrado em apenas uma parte do Nordeste. Segundo o levantamento comparativo, o candidato do PL aumentou sua votação em todos os nove estados nordestinos em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022. UOL Notícias
Alagoas apresentou o maior percentual de Flávio na região, com 40,45%. Mesmo assim, Lula terminou à frente, com 54,73%. Apuração Poder360
Na Bahia, maior colégio eleitoral nordestino, Lula registrou 66,17%, contra 28,53% de Flávio. Ainda existe uma diferença ampla, mas o crescimento da votação bolsonarista foi significativo em números absolutos. UOL Notícias
No Ceará, Lula alcançou 63,19%, enquanto Flávio ficou com 31,35%. Em Pernambuco, a diferença foi de 63,37% para Lula contra 31,10% para Flávio. UOL Notícias
O Maranhão registrou 63,99% para Lula e 30,90% para Flávio. Na Paraíba, foram 61,31% contra 33,07%. UOL Notícias
No Piauí, um dos estados historicamente mais favoráveis ao PT, Lula chegou a 70,99%, enquanto Flávio alcançou 24,09%. Mesmo nesse cenário de ampla vantagem petista, a votação bolsonarista cresceu em relação a 2022. UOL Notícias
No Rio Grande do Norte, Lula teve 59,75% e Flávio 34,77%. Já em Sergipe, o petista também terminou na frente, mantendo o padrão regional. UOL Notícias
O que realmente mudou?
Os números recomendam cautela antes de falar em uma “virada” do Nordeste.
Em 2022, Lula venceu os nove estados da região no primeiro turno, e Bolsonaro ficou atrás em todos eles. Em 2026, o mesmo aconteceu: Lula novamente foi o mais votado nos nove estados. Portanto, o mapa eleitoral nordestino não mudou de vencedor entre as duas eleições. UOL Notícias
A mudança está principalmente no tamanho dessa vantagem.
O desempenho de Flávio mostra que o campo político associado ao bolsonarismo conseguiu ampliar sua votação justamente na região onde tradicionalmente encontra maior resistência eleitoral. Foram mais de 10,3 milhões de votos no Nordeste, contra menos de 8,8 milhões obtidos por Jair Bolsonaro quatro anos antes. UOL Notícias
Também é importante observar que o fenômeno não significa necessariamente que todos esses votos possam ser classificados automaticamente como “votos bolsonaristas”. A composição eleitoral de 2026 teve outros candidatos, mudanças nas alianças estaduais e diferenças na participação dos eleitores.
Lula perde terreno, mas mantém sua principal base
O outro lado da equação é igualmente importante.
Lula perdeu participação percentual em todos os nove estados nordestinos quando comparado ao primeiro turno de 2022, embora tenha aumentado sua votação absoluta em Alagoas, Piauí e Sergipe. A maior perda absoluta ocorreu na Bahia, que sozinha respondeu por grande parte da redução regional. BOL
Ainda assim, o Nordeste entregou a Lula uma vantagem de aproximadamente 11,1 milhões de votos sobre Flávio. Foi essa margem que manteve a região como principal sustentação eleitoral do petista no primeiro turno.
O contraste com outras regiões ajuda a entender o resultado nacional. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de 1,87 ponto percentual. O candidato do PL venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula venceu em 12 estados. Folha de S.Paulo
O Nordeste foi, portanto, a única região brasileira em que Lula terminou à frente de Flávio de forma consolidada. Nas demais regiões, a vantagem do candidato do PL compensou e superou a margem obtida pelo petista no Nordeste. BOL
Uma nova fotografia política
A eleição de 2026 não permite afirmar que o Nordeste tenha abandonado o lulismo. Os números mostram justamente o contrário: Lula continua vencendo nos nove estados e mantém uma vantagem superior a 11 milhões de votos sobre Flávio na região.
Mas também seria difícil ignorar o movimento contrário.
O crescimento de mais de 1,6 milhão de votos de Flávio em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022, acompanhado pela redução da votação de Lula, indica que o campo político da direita ampliou sua presença eleitoral no Nordeste. UOL Notícias
Essa mudança ocorre em uma região que, desde 2006, tornou-se uma das principais bases eleitorais das candidaturas presidenciais do PT. Em 2022, Lula venceu os nove estados nordestinos tanto no primeiro quanto no segundo turno; no segundo turno daquele ano, obteve 69,34% dos votos válidos da região. UOL Notícias
Em 2026, o cenário ainda é majoritariamente favorável a Lula no Nordeste, mas com uma diferença menor e com um adversário que ampliou sua presença em todos os estados.
O resultado deixa uma fotografia diferente daquela observada quatro anos atrás: o Nordeste continua sendo uma região decisiva para Lula, mas deixou de ser eleitoralmente tão distante do bolsonarismo quanto foi em 2022.
A eleição ainda terá segundo turno, marcado para 25 de outubro. Por isso, os números do primeiro turno devem ser entendidos como um retrato do momento, e não como uma conclusão sobre o resultado final.
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