Após morte de Arthur, Dr. César Maia defende qualificação permanente na saúde de Parnamirim

A morte de Arthur Kevin, de apenas dois anos, após atendimento na UPA Nova Esperança, voltou a colocar a estrutura de urgência e emergência de Parnamirim no centro do debate. A família questiona o atendimento prestado à criança, enquanto a unidade afirma que o menino apresentava um quadro de extrema gravidade e evolução rápida. A Prefeitura determinou a apuração do caso.

Foi justamente nesse contexto que o vereador e médico Dr. César Maia levou ao plenário da Câmara Municipal uma discussão que vai além da busca por responsáveis: a necessidade de qualificação permanente dos profissionais que atuam diretamente nas situações de emergência.

César Maia apresentou o Projeto de Lei nº 034/2026, que estabelece a obrigatoriedade de certificação ativa em Suporte Avançado de Vida Cardiovascular (ACLS) e Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS) para médicos e enfermeiros que trabalham em unidades hospitalares e de pronto atendimento da rede municipal.

A proposta alcança o Hospital Unidade Mista Deputado Márcio Marinho, a Maternidade Divino Amor, a UPA Maria Nazaré Silva dos Santos e futuras unidades de urgência e emergência incorporadas ao município. Segundo a proposta, profissionais que ainda não possuem as certificações teriam prazo para se adequar.

Médico e vereador, César Maia fala a partir da experiência

Durante sua manifestação, César Maia fez questão de separar a discussão política da responsabilidade médica. Em vez de apenas apontar problemas, defendeu a preparação das equipes como uma das ferramentas para melhorar o atendimento de emergência.

O vereador destacou que ACLS e PALS são treinamentos voltados justamente para situações críticas. O primeiro é direcionado ao atendimento avançado de emergências cardiovasculares, enquanto o segundo é voltado às emergências pediátricas.

A proposta também prevê uma estrutura de capacitação para os profissionais. De acordo com informações divulgadas pelo próprio parlamentar, César Maia destinou R$ 400 mil em emenda para contribuir com a formação das equipes que ainda não possuem as certificações.

A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da discussão provocada pela morte de Arthur. É importante, entretanto, não confundir a defesa de maior qualificação profissional com uma conclusão sobre o caso específico da criança. Até o momento, as circunstâncias do atendimento e a existência ou não de eventual falha ainda são objeto de apuração. A UPA afirmou que solicitou o Serviço de Verificação de Óbito para contribuir com o esclarecimento do caso.

Uma discussão que precisa sair do discurso

O ponto levantado por César Maia é objetivo: emergência exige profissionais preparados para reconhecer rapidamente situações de risco e tomar decisões dentro de protocolos estabelecidos.

Na visão apresentada pelo vereador, a qualificação não deve ser tratada como um diferencial, mas como parte da responsabilidade de quem trabalha na linha de frente do atendimento de urgência.

Outro aspecto citado durante o debate foi a necessidade de organizar melhor o fluxo dentro das unidades, especialmente em situações nas quais a gravidade do paciente exige uma resposta imediata.

Essa discussão ganha importância em Parnamirim porque a rede municipal reúne diferentes portas de entrada e serviços de urgência. E, como destacou o vereador, não basta discutir problemas depois que uma tragédia acontece. Também é necessário pensar em mecanismos capazes de reduzir riscos antes que eles aconteçam.

A saúde precisa de crítica, mas também de proposta

O caso Arthur deixou uma família enlutada e uma cidade buscando respostas. A investigação precisa seguir seu caminho e apontar, com responsabilidade, o que de fato ocorreu durante o atendimento.

Paralelamente, a discussão proposta por César Maia abre outra frente: o que pode ser feito para melhorar a preparação das equipes e o funcionamento da rede?

É nesse ponto que a atuação do vereador merece registro. O parlamentar não apenas questionou a situação da saúde, mas apresentou uma proposta legislativa e indicou recursos para capacitação.

E existe uma diferença importante entre fazer uma crítica e apresentar uma alternativa. Na saúde pública, onde decisões podem envolver vidas, as duas coisas precisam caminhar juntas.

O Blog do Obedis Damásio – Sem Amarras também entende que não se pode generalizar. Parnamirim possui profissionais e unidades que prestam serviços importantes à população, entre eles o Hospital Márcio Marinho e o CCPAR. O desafio é garantir que toda a rede consiga oferecer atendimento seguro, qualificado e organizado.

A gestão municipal precisa ouvir quem está dentro da rede

A discussão também coloca a Secretaria Municipal de Saúde diante de uma reflexão necessária. A atual secretária, Ana Michele, foi escolhida pela prefeita Nilda Cruz e tem a responsabilidade de conduzir uma área que enfrenta cobranças permanentes.

Não se trata de personalizar os problemas da saúde em uma única pessoa. Mas, diante das dificuldades relatadas e da necessidade de mudanças, a gestão municipal pode e deve ouvir diferentes setores, inclusive vereadores que conhecem a realidade da rede e profissionais que trabalham diariamente dentro das unidades.

A proposta de César Maia mostra que o debate pode ser transformado em ação concreta: capacitar, organizar fluxos e preparar melhor quem está diante do paciente nos momentos mais delicados.

No fim das contas, a discussão não deveria ser sobre quem ganha ou perde politicamente. Deveria ser sobre como evitar que famílias voltem para casa carregando a dor de perder alguém e, principalmente, como garantir que cada paciente que procure uma unidade de saúde encontre uma equipe preparada para fazer o melhor possível.

O Blog do Obedis Damásio – Sem Amarras reconhece a importância de cobrar a gestão pública, mas também de registrar quando uma autoridade apresenta uma proposta e aponta recursos para tentar enfrentar um problema. Saúde pública precisa de fiscalização, responsabilidade e, sobretudo, soluções.

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