Mesmo com as eleições de 2026 ainda no centro das atenções, Parnamirim já começa a viver antecipadamente o debate sobre 2028. A movimentação de grupos, vereadores e lideranças políticas indica que a disputa municipal poderá começar a ser desenhada a partir dos resultados das urnas deste ano.
Um dos movimentos que mais chama atenção é o crescimento da pré-candidatura de Nina Souza à Câmara Federal dentro de Parnamirim. A vereadora de Natal vem construindo sua base no município desde o início do ano e conta com apoios de nomes que possuem atuação política consolidada na cidade, entre eles a vice-prefeita Kátia Pires e a vereadora Carol Pires.
Também declararam apoio à pré-candidatura o ex-presidente da Câmara Municipal de Parnamirim, Wolney França, e o vereador Professor Ítalo, ambos do PSDB, partido presidido no Rio Grande do Norte pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira.
A movimentação ganhou novo capítulo com a entrada de Kelps Lima no projeto de Nina Souza. Depois de desistir da disputa por uma vaga na Câmara Federal, o ex-deputado passou a participar das articulações da candidatura. Em julho, o vereador Fúlvio Saulo anunciou que Kelps assumiria a coordenação da campanha, enquanto Nina confirmou que desejava contar oficialmente com ele na função.
A aproximação tem peso político porque Kelps vinha de uma relação próxima com a administração da prefeita Nilda Cruz e, antes da desistência eleitoral, havia protagonizado divergências públicas com nomes que integram o cenário político do grupo aliado ao candidato Allyson Bezerra. A mudança de posição alterou parte do desenho das alianças para 2026.
Nina, por sua vez, vem apresentando Parnamirim como uma cidade com a qual mantém vínculo pessoal. A parlamentar já declarou ter morado no município, estudado na Escola Santos Dumont e se considerar uma cidadã parnamirinense. O crescimento de seu grupo também aparece em pesquisas recentes para deputado federal: levantamento Media/O Potengi realizado em julho colocou Nina com 3,05% na pesquisa espontânea estadual, enquanto pesquisa ITEM/TV Ponta Negra, também de julho, registrou 4,8% na estimulada.
Do outro lado do tabuleiro está a prefeita Nilda Cruz, que enfrenta um cenário político que exige atenção. A gestão municipal vem sendo alvo de críticas e também de questionamentos institucionais. Em julho, uma decisão judicial determinou o envio de cópias de um processo ao Ministério Público para apuração de possível improbidade administrativa e crime de desobediência relacionados às obras de drenagem do Parque das Orquídeas. É importante destacar que uma investigação ou apuração não representa, por si só, condenação ou comprovação de irregularidade.
Nesse ambiente, a relação entre Nilda Cruz e parte de sua base política também passa a ser observada com maior atenção. A aproximação de vereadores com outros projetos eleitorais demonstra que a prefeita terá de administrar não apenas as demandas administrativas, mas também uma base política que pode apresentar diferentes interesses durante o processo eleitoral.
Um episódio que ganhou repercussão nos bastidores foi um almoço promovido recentemente entre Nilda Cruz e Nina Souza. A ausência de parte dos vereadores que apoiam Nina chamou atenção no meio político e passou a ser interpretada como mais um sinal das dificuldades de alinhamento dentro do grupo político municipal.
Enquanto isso, Nilda aposta suas principais fichas no resultado das eleições de 2026. O desempenho dos candidatos apoiados pela prefeita em Parnamirim poderá ser determinante para medir sua força política e sua capacidade de articulação visando 2028.
É justamente aí que está o ponto central deste cenário: 2026 poderá funcionar como uma espécie de prévia política de 2028. Quem conseguir eleger seus candidatos ou obter votações expressivas em Parnamirim chegará ao próximo ciclo eleitoral com maior capacidade de negociação.
A Câmara Municipal também terá papel importante nessa equação. Com 23 vereadores, o Legislativo reúne diferentes grupos e interesses políticos, e o atual presidente, Dr. César Maia, terá pela frente o desafio de manter equilíbrio institucional em um ambiente que tende a ficar mais disputado à medida que as eleições se aproximam.
O cenário ainda está em construção. Apoios podem mudar, alianças podem ser refeitas e novos nomes podem surgir. O que hoje parece uma composição consolidada pode assumir outro formato depois das urnas de outubro.
Parnamirim, portanto, já começa a olhar para 2028, mas a primeira resposta virá em 2026. O resultado eleitoral deverá mostrar quem sai fortalecido, quem precisará reconstruir seu grupo e quem terá condições de sentar à mesa para discutir o futuro político do município.
O Blog Sem Amarras continuará acompanhando os movimentos desse tabuleiro, distinguindo fatos já confirmados das articulações de bastidores e dando espaço para as diferentes forças políticas apresentarem suas posições.
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